Stresse, Bruxismo e Isolamento Social: 8 conselhos de um médico dentista e de uma psicóloga

Stresse, Bruxismo e Isolamento Social: 8 conselhos de um médico dentista e de uma psicóloga

O bruxismo corresponde ao ato de apertar e ranger os dentes. Pode conduzir a dor nos músculos mastigatórios, dores dentárias ou cefaleias, assim como a longo prazo pode conduzir a desgaste dentário.

Uma das suas principais causas é o stresse e ansiedade. Em tempos de isolamento social e alteração de rotinas, ficam aqui alguns conselhos para gerir o seu stresse e ansiedade.

  1. Identificar a origem do stresse/ansiedade

O primeiro passo para controlar o stresse e a ansiedade é identificar corretamente as situações ou pessoas que o desencadeiam (excesso ou falta de tarefas, desconforto emocional com quem vive e que guarda para si, autoexigência perfecionista no que faz, foco excessivo nas notícias, preocupação constante com o futuro, etc.). Esteja atento aos seus sinais exteriores e interiores de stresse/ansiedade e procure relacioná-los com o que está a acontecer (confinamento, medo, isolamento, etc.).

  1. Partilhar com as pessoas próximas aquilo que sente

Aprenda a não guardar tudo para si, pois as tensões demasiado controladas ou reprimidas provocam danos físicos e mal-estar psicológico. Desabafe, exteriorize, expresse o seu sentir, saiba que é normal sentir quaisquer destas emoções: tristeza, medo, revolta, angústia, zanga, preocupação, incerteza, frustração e aborrecimento, falta de esperança, solidão e/ou ansiedade. Ligue a um familiar ou um amigo.

Se sentir que está muito nervoso, aflito e que está a interferir no seu sono, a gerar grande ansiedade e tristeza, choro e pensamentos pessimistas, recorra a linhas de apoio psicológico, tais como SNS24 (808 24 24 24), ou linhas de atendimento de hospitais e das autarquias da sua zona de residência. Em caso de ter um profissional de saúde mental que o acompanha pode também procurar contatá-lo.

  1. Aprender a dizer não, STOP

Se algo excede o seu limite de tolerância aprenda a dizer não, ou a modificar o comportamento gerador de stresse e ansiedade; deixe claro quais são os seus limites, perceba-os e transmita-os aos que estão junto de si, para que, em conjunto, se organizem tendo isso em conta.

Não se sobrecarregue com obrigações ou responsabilidades excessivas, procure agendar/orientar pedidos exagerados (em termos de demasiado tempo gasto ou de exigência); i.e., delimite o tempo que ocupa a cuidar dos outros, ou a efetuar tarefas contínuas, para assegurar tempo para descansar e cuidar de si.

  1. Cuidar da sua alimentação e exercício físico

Em tempos de isolamento é fácil descuidar-se com a dieta. Mantenha uma dieta equilibrada, rica em fruta (aconselhável 3 peças de fruta), verduras, fibra e vitaminas (coma, pelo menos, sopa de hortícolas ao almoço) que o protegem do stresse. Mantenha-se hidratado, beba água ao longo do dia (sendo desejável 8 copos por dia, equivalente a 2 litros).

Evite o excesso de gorduras, açúcar, café, álcool e tabaco pois estes últimos são estimulantes, aumentam as respostas ansiógenas e facilmente conduzem ao bruxismo.

A atividade física moderada e regular aumenta a sensação de bem-estar (devido à produção de endorfinas). O yoga, pilatos, a ginástica/fitness são boas opções para praticar em casa nesta época de isolamento; para a sua prática guiada pode seguir programas de treino orientados por profissionais (na TV, Facebook, Instagram, etc.).

  1. Ser otimista

É fácil sermos inundados de notícias e de opiniões pessimistas nesta fase. Procure apenas fontes fidedignas de informação (como os websites da DGS, SNS24, OMS e INEM). É importante não ocupar muito tempo por dia com notícias, defina um ou dois períodos no dia para se informar, procurando que não sejam longos.

Procure contrariar posturas negativas, tenha um pensamento positivo e motivado para as coisas que consegue fazer em cada dia, seja mais confiante e flexível/versátil, acredite na sua criatividade para desenvolver atividades agradáveis e úteis.

Faça um gesto de gentileza e solidariedade por dia (sorrir, elogiar, telefonar a uma pessoa amiga, agradecer um gesto); reforce-se por cada atitude positiva. Esta atitude aumentará a sua resistência ao stresse e diminuirá a sua ansiedade.

  1. Aprender a gerir o tempo

Procure intercalar trabalho, família, lazer e descanso (valorizando também o horário das suas refeições). Seja o condutor do seu tempo e não o contrário. Estabeleça prioridades e objetivos, com bom senso, mas procure ter uma agenda estruturada, com rotinas diárias que organizam o seu tempo nas diversas atividades importantes: autocuidado, arranjo pessoal, atividades profissionais, toma das refeições com calma, descansar e descontrair, partilha com familiares e amigos, exercício físico e diversão.

  1. Aprender a relaxar todos os dias

É impossível evitar, prevenir ou antecipar as situações stressantes. Assim aprenda estratégias para relaxar corpo e mente: respirar lenta e profundamente (inspirar pelo nariz e expirar pela boca), deixar que os seus músculos descontraiam quando expira, imagine um lugar onde já sentiu paz e tranquilidade (pense no que vê, ouve, cheira e sensações corporais que esse lugar lhe proporciona). Isso conduzirá a uma diminuição da frequência cardíaca, da sua pressão arterial e da tensão nos seus músculos. Reserve um momento para si todos os dias (olhar para algo bonito, ler algo de que goste, procurar um local da sua casa confortável), dê um pequeno prémio a si mesmo(a): elogie-se, reconheça o que consegue fazer nas pequenas coisas do dia-a-dia, valorize os seus esforços, permita-se aquele tempo reservado para fazer o que o descontrai mais, etc..

  1. Não ignorar o stresse e a ansiedade.

O stresse, tal como a ansiedade, poderão ser difíceis de medir ou quantificar. Mas a sua relação com o bruxismo, Disfunção Temporomandibular, Cefaleias e outras patologias (cardiovasculares, mentais etc..) está bem estabelecida.

Não ignore o stresse e os estados de ansiedade e as consequências que poderão ter no seu organismo. Identifique, perceba, e lide com as fontes de stresse e geradores de ansiedade, use-os como forma de perceber o que precisa de alterar na sua rotina e perceba que este seu sentir serve de alerta para a necessidade de fazer atividades que o deixarão mais tranquilo.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]

Prof.ª Doutora Fátima FelicianoPsicóloga Clínica

Doutor Júlio Fonseca Médico Dentista (Dor Orofacial, Bruxismo, Disfunção Temporomandibular, Roncopatia e Apneia do Sono)